Apesar de ter a venda proibida no Brasil, o consumo tem se tornado mais comum entre os jovens. Segundo especialistas, o uso dos dispositivos faz mal à saúde, podendo causar alguns tipos de câncer
O Correio Braziliense entrevistou a médica pneumologista do Hospital Santa Lúcia, Dra. Grasielle Santana, para comentar os perigos do hábito, principalmente entre o público mais jovem
Saiba os riscos que correm os usuários de cigarros eletrônicos
Apesar de ter a venda proibida no Brasil, o consumo tem se tornado mais comum entre os jovens. Segundo especialistas, o uso dos dispositivos faz mal à saúde, podendo causar alguns tipos de câncer

(crédito: Caio Gomez)
O cigarro eletrônico invade os encontros sociais, principalmente entre os jovens. Também chamados de pods ou vape, a utilização dos dispositivos tem crescido no paÃs, inclusive no Distrito Federal. Segundo especialistas, o uso faz mal à saúde e, apesar de muitos adolescentes e adultos terem consciência dos malefÃcios causados, continuam utilizando seja por diversão, por aceitação ou por substituição do cigarro comum. Vale ressaltar que os produtos eletrônicos têm venda proibida no Brasil, mas são facilmente encontrados nas portas de festas, baladas ou bares.
Saiba Mais
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A estudante Paula Oliveira*, 21 anos, conheceu os cigarros eletrônicos na roda de amigos e decidiu experimentar há quatro anos. Com gosto e cheiro bons, a jovem adotou o hábito e, desde então, faz uso dos dispositivos nas idas a festas, bares e encontros com os colegas. “Nunca gostei de fumar outros tipos de cigarro, mas aderi ao vape. É algo mais social”, comenta. Ela conta que a possibilidade de sabores e a praticidade são fatores que facilitam o uso. “Sei do mal que faz, mas procuro não extrapolar no uso dos pods”, ressalta.
Substituindo o cigarro branco pelo eletrônico, a autônoma Priscila Silva*, 32 anos, começou a usar os pods para reduzir o vÃcio no tabaco comum. “Eu fumava muito e vi no cigarro eletrônico uma saÃda para reduzir meu hábito”, conta. No entanto, ela afirma que faz uso dos dispositivos com frequência. “Costumo fumar os pods no intervalo do trabalho, durante a rotina do dia a dia”, destaca, acrescentando que pretende reduzir o uso.
Facilidade
Para o administrador Pedro Lima*, 26 anos, o hábito de usar os vapes começou pela praticidade. “Eu já fumava os narguilés, mas os pods ajudaram a aumentar a frequência pela facilidade de usar nas festas, principalmente”, comenta. Ele conta que a famÃlia dele não gosta e nem aprova o uso dos cigarros eletrônicos pelo mal que causa à saúde. “Acabo fumando escondido e só entre amigos”, enfatiza, completando que entende a preocupação dos pais.
A médica pneumologista do Hospital Santa Lúcia, Grasielle Santana, diz que há um aumento crescente de usuários de cigarro eletrônico, com incidência maior entre os jovens. “Com ideia inicial de ajudar a cessar o tabagismo, a indústria do tabaco acabou por ganhar mais adeptos ao hábito de fumar, o que foi uma perda imensa em uma luta de tantos anos contra o tabagismo”, pontua.
Segundo a especialista, um dos fatores mais importantes que dificultam cortar o tabaco é a dependência de nicotina. “O cigarro eletrônico surgiu como uma forma de dependência maior a essa substância, por ter componente saborizado e com possibilidade de nÃveis de concentração a escolha do usuário”, destaca a médica.
A pneumologista ressalta que é falsa a ideia de que o cigarro eletrônico não causa danos, pois além da nicotina, há também diversas outras substâncias nos dispositivos, inclusive algumas com potencial cancerÃgeno. “Alguns estudos de danos a curto prazo evidenciam lesão pulmonar secundária, mas esse dano pode ser ainda maior, com uso a longo prazo”, avalia.
Com isso, a médica destaca que, em qualquer circunstância, a adesão ao uso do cigarro eletrônico é contra indicada. Entre as doenças mais comuns que podem ser causadas pelo uso de pods e vapes estão os cânceres de pulmão, de boca e de lÃngua, além de bronquite, agudização de asma em quem tem e bronquiolite.
Comportamento
Especialista em comportamento juvenil e adulto, a psicóloga Lilian Nandes, avalia que os jovens costumam adotar comportamentos, buscando essa aceitação no meio em que vivem. “Um jovem inicia o hábito de fumar, geralmente reproduzindo o comportamento advindo de alguma figura com quem ele tenha qualquer contato, seja ele positivo ou negativo”, destaca Lilian.
A psicóloga explica que, durante a adolescência, as pessoas estão em uma fase de autoconhecimento e de busca de identidade. “Isso faz com que nos permitamos experimentar atividades desconhecidas na tentativa de nos tornarmos parte de um determinado grupo”, pontua. Segundo ela, os comportamentos costumam ser reforçados mediante um estÃmulo de recompensa, ou seja, quando os jovens percebem que são bem vistos fazendo uso de cigarros, eles tendem a permanecer com o hábito.
Venda proibida
No Brasil, a venda de cigarros eletrônicos é proibida, sendo considerada crime de contrabando e contra as relações de consumo previsto na Lei n. 8.137/1990. Ainda em 2009, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização, a importação e a propaganda de cigarros eletrônicos no paÃs. A decisão foi mantida pela agência reguladora em julho de 2022. No entanto, as vendas dos dispositivos continuam ocorrendo em portas de festas, baladas e bares, principalmente.
Em dezembro do ano passado, a PolÃcia Civil do Distrito Federal (PCDF) desencadeou uma operação para coibir a venda de cigarros eletrônicos em tabacarias do Sudoeste após uma denúncia anônima. As equipes apreenderam na ação cerca de 2 mil cigarros eletrônicos e aproximadamente 1 mil essências para os dispositivos.